ACONTECE NA PROJETO | CRÔNICAS SEMPRE ALUNOS
CARLA FOSCHINI

Carla não espera acontecer. Arregaça as mangas, vai à luta. Suas armas são a determinação, a ousadia e um sorriso escancarado na cara – que ela mesma define como “de pau”. A escolha da profissão teve a ver com isso. Ela é jornalista, formada na Universidade Metodista e faz pós-graduação em gestão de Marketing, pela Anhembi Morumbi.

Ano passado, em um ato de coragem, decidiu tomar as redes da sua vida e se arriscar numa nova empreitada: abriu sua própria agência de comunicação. Hoje, pouco mais um de ano da abertura de sua empresa, está feliz com a decisão tomada. Mesmo nesta crise, a Marketing Place Comunicação está indo muito bem.

Carla e a Projeto nasceram praticamente juntas. A primeira, em junho de 90, e a segunda, no início de 91. Iniciaram sua relação em 1993 e o convívio diário durou até 2004, quando Carla terminou o Ensino Fundamental.

Para Carla, a Projeto foi determinante para ela ser quem é. “Ter estudado durante 11 anos na Projeto me fez realmente crescer. Foram anos fundamentais na minha formação como ser humano. Estudar numa escola construtivista é saber quem você é, é autoconhecimento. A gente aprende criando, aprende convivendo, aprende interagindo. Cresci sabendo do que eu era capaz, fazendo as coisas do meu jeito, mas aprendendo do que eu era capaz”. Não é uma escola preocupada apenas com os conteúdos das disciplinas – segundo Carla, a humanização é um valor muito presente nas relações lá construídas e envolve não só professores e alunos, mas também as famílias.

Quando ingressou na Projeto, Carla tinha limitações de mobilidade. Não andava. Em 1993 pouquíssimas escolas aceitavam crianças com deficiência. A Projeto recebeu Carla e, em uma turma de outro ano, Natália. Ambas com dificuldades de locomoção. E as incluiu sem restrições, conta Carla: ”Eu não era excluída de nada, não era diferente de ninguém, cresci inserida em tudo. Para os meus amigos, era absolutamente normal conviver comigo. Eu precisava de uma ajuda de vez em quando, tanto os professores quanto os colegas, sabiam como me ajudar”.

Aos 9 anos teve de fazer uma cirurgia complicada e ficou dois meses e meio com a perna engessada. A Projeto adaptou sua sala para receber a cadeira de rodas e também colocou uma mesa especial. Os amigos não só ajudaram, como faziam questão de brincar e de fazer as atividades com ela. E, claro, todos assinaram seu gesso.

Quando o prédio da Waldemar Martins começou a ser planejado, Carla, Natália e suas famílias, foram chamadas para dizer o que consideravam importante ser feito em termos de acessibilidade: onde precisava de rampa, em que lugar colocar corrimões, o que era necessário pra que se sentissem bem ali dentro.

Os ensaios e a semana de apresentação de “Um violinista no Telhado” estão entre os momentos que Carla relembra como um dos acontecimentos mais especiais da vida escolar: “A turma que já era unida, ficou ainda mais. Nos ensaios aos finais de semana, um tinha que ajudar o outro, se conhecer, fazer vários papéis. O fato de ser um teatro de verdade com orquestra, produção, foi marcante”.

A inclusão de Carla e também de Natália – certamente ensinou a todos. Conviver com elas fez com que os alunos aprendessem a respeitar, a apreciar e encarar as diferenças de modo natural e acolhedor.

Carla colaborou para fazer da Projeto uma escola verdadeiramente inclusiva. E a Projeto possibilitou que Carla desenvolvesse todo o seu potencial.