ACONTECE NA PROJETO | CRÔNICAS SEMPRE ALUNOS
DANILO TOLEDO

Alegria, felicidade, comunicação, amizade – são alguns dos ingredientes que compõe a personalidade de Danilo, estudante de gastronomia, em vias de se formar.

A escolha da profissão foi preparada com antecedência, e é temperada com muito carinho: “isso já vem comigo desde que eu era pequeno, acompanhei meus avós e minha bisavó, na cozinha. Foi uma paixão que fui desenvolvendo até a fase adulta.” Não tem preconceitos – dentro da cozinha, é uma pessoa realizada – lavando pratos, cortando cebolas ou pilotando o fogão. O importante é fazer o que gosta e, principalmente, oferecer aos outros o prazer de um prato caprichado e saboroso.

Danilo planeja passar um tempo na Europa depois de se formar. Quer ampliar seus conhecimentos de gastronomia e sua experiência de vida conhecendo outros países. Na volta, pretende se especializar em culinária vegana. E isso não é por acaso. Nem por capricho. Tudo começou porque ele não pode comer alimentos proteicos.

Essa restrição alimentar, que poderia ter sido um problema complicado na vida escolar, nunca foi. Ele estudou doze anos na Projeto – de 98 a 2010 – e lembra o quanto a escola cuidou não apenas para que ele não corresse riscos, mas para que vivesse a rotina sem que isso o afetasse de alguma maneira. “A Projeto sempre tinha um professor responsável, ciente da minha doença. Minha mãe participou de reuniões na escola, pra falar da minha restrição alimentar para professores, coordenadores e mesmo diretores.” Um hábito sempre que costuma ser incentivado, principalmente na Educação Infantil – o de compartilhar o lanche com os colegas – precisou ser abordado pela escola de outra maneira, pois as crianças precisavam entender porque não poderiam dividir o lanche com ele e, segundo Danilo, a equipe soube fazer isso com delicadeza.

Já no Fund. I, o pessoal da cantina foi orientado e, nas viagens, havia toda uma atenção para que ele não se expusesse ao risco de ingerir algo que não pudesse e, ao mesmo tempo, ofereciam a comida mais parecida possível com a dos demais, para não se sentisse excluído e nem passasse vontade.

Mas suas boas recordações da vida na Projeto não se restringem às refeições, pelo contrário, são fartas e variadas: “A noite do pijama, com as contações de histórias e guerra de travesseiros; a tarde com os avós, em que tomamos chá e aprendemos brincadeiras de época; a noite do pijama no Fundamental II, com histórias na frente da fogueira, baladas e o lanche comunitário; as viagens, pro Rep Lago e o futebol na lama; Brotas e a visita ao planetário; a ilha do Cardoso e o mangue; as feiras de ciências onde mostrei a minha coleção de pedras; as Mostras Culturais; os ensaios e a apresentação do teatro do 9º ano...”

Na classe, Danilo, falante, “não deixava que eles dessem aula, eu falava muito! ” Mesmo assim, também não se esquece das aulas sobre I e II Guerras, dadas pelo Mesquita, do laboratório com as minhocas e a aprendizagem sobre ciclo da vida, nem da aula de inglês com os cookies de gengibre ou do ateliê do Mena para a confecção de bonecos de papel machê.

A cereja do bolo, para ele foi sua formação pessoal: “Os conceitos e valores da minha personalidade foram construídos na PV: disciplina, respeito, solidariedade, cidadania, conviver com diversidade de ideias e de pessoas, saber dar e receber, postura. Uma série de fatores que me fizeram um ser humano melhor, apto a vencer os desafios da minha carreira”.

Seu desafio agora será consolidar a carreira gastronômica especializada na culinária vegetariana e vegana que, como ele afirma - “não é fazer gastronomia por fazer, mas de um modo que possa ajudar outras pessoas que têm o mesmo problema que eu a ter uma vida com mais sabores”.

Danilo, com o apoio da Projeto, transformou sua limitação em ampliação do universo gastronômico e sua restrição em realização profissional. Um resultado para se apreciar sem moderação.