DIÁLOGOS COM A COMUNIDADE
APRENDER FORA DA ESCOLA?

As coisas estão no mundo
Só que eu preciso aprender
(Paulinho da Viola, “Coisas do mundo, minha nega”)


Pois é, as coisas estão no mundo, a escola inclusive, e é preciso aprender com elas, a partir delas e sobre elas, estabelecendo um diálogo permanente entre o que está dentro e o que está fora da instituição escolar.

É impossível conceber um projeto pedagógico, comprometido com as exigências do século XXI, confinado aos limites exclusivos da sala de aula ou das dependências internas da escola, mesmo quando se vive as possibilidades da realidade virtual, das navegações no ciberespaço.

No exercício de sua função social, é necessário que a escola tome para si a responsabilidade e a iniciativa de articular sua programação interna, ou seja, seu planejamento de ensino, à multiplicidade de situações educativas — permanentes ou transitórias — disponíveis, entre outras referências, no calendário cultural dos locais onde está inserida. Em geral, vale dizer, os calendários culturais são sempre generosos, pelo menos nos grandes centros urbanos e capitais, independentemente de coincidir com grandes eventos como, por exemplo, Bienal do Livro e outros equivalentes.

A questão para a escola é sempre a mesma, a da escolha: o que priorizar?

Para a Projeto Vida, é fundamental planejar as visitas e/ou estudos do meio, tomando como referência os recortes dos conteúdos trabalhados nas diferentes disciplinas do currículo e levando em conta o melhor momento, dentro do cronograma do trabalho em sala de aula, para que as saídas aconteçam.

No caso particular dos acantonamentos – cujos propósitos educativos são fundamentalmente de socialização –, além dos critérios de qualidade dos serviços oferecidos aos alunos, que valem também para os estudos do meio e outras saídas pedagógicas (segurança dos transportes, espaço físico, acomodações etc), é preciso assegurar a sintonia entre a equipe de monitores e a equipe de educadores da Projeto Vida. Essa sintonia resulta do esforço em explicitar para os profissionais que nos recebem e/ou nos acompanham os valores e atitudes que orientam nossas práticas educativas, como, por exemplo, o respeito, a cooperação o diálogo, a fim de que as experiências propostas aos nossos alunos sejam solidárias ao nosso projeto curricular.

Em outras palavras, é necessário que as propostas oferecidas aos estudantes levem em conta não apenas os conteúdos a serem ensinados (fatos, conceitos, procedimentos, atitudes e valores) e as particularidades das faixas de idade com as quais trabalhamos, mas principalmente nossas intenções formativas.

São nossas intenções formativas que explicam porque, na Projeto Vida, as saídas pedagógicas fazem parte do currículo, ou seja, são planejadas para todos os alunos, e não oferecidas como atividades extracurriculares apenas para os que optam por elas. E é o fato de serem planejadas que faz com que, na maioria das vezes, elas se desdobrem em três momentos de trabalho: antes, durante, e depois.

Antes, quando as atividades de sala de aula preparam os alunos para o que vão aprender, oferecendo oportunidade para que expressem o que pensam acerca dos conteúdos que serão trabalhados; durante, quando as atividades se desenvolvem no(s) lugar(es) visitado(s) e são propriamente investigativas: observam, anotam, desenham, entrevistam; depois, quando os alunos voltam para sala de aula e têm como objetivo analisar as informações obtidas e checar os conhecimentos anteriores com os adquiridos durante a investigação feita para, finalmente, comunicar os resultados a que chegaram.

Pensar tais saídas como extensão do trabalho em sala de aula, é bom que se diga, não significa excluir delas um tempo para o lazer, entendido aqui na perspectiva de um tempo livre a ser preenchido conforme as escolhas dos alunos, como acontece nas viagens de estudo do meio e acantonamentos.

Levar em conta, dentro da programação das saídas pedagógicas, um tempo para ser livremente preenchido pelas propostas dos alunos tem para nós um valor educativo especial, na medida em que os leva a identificar interesses comuns, a se agrupar espontaneamente e a lidar com os conflitos que esses agrupamentos podem desencadear.

Por último, vale considerar que, nas saídas pedagógicas, especialmente nas que envolvem viagens, os alunos deixam seus pais e suas casas, para se colocarem sob a responsabilidade de seus professores, coordenadores e monitores, agrupados com outros colegas, que não exclusivamente os de sua classe.

Trata-se de uma experiência desafiadora para boa parte dos alunos, e também para os pais, que nesses momentos questionam as condições dessas saídas/viagens e também se interrogam sobre a autonomia dos próprios filhos para tomar conta de si mesmos a ponto de poderem confiá-los em quem os acompanha.

Do lado da escola, o desafio maior é sustentar a crença no valor educativo das saídas pedagógicas e se responsabilizar por planejá-las e concretizá-las dentro das melhores condições didáticas e de logística.

Em outras palavras, levar os alunos para aprender em espaços regulados por normas de funcionamento diferentes das da família e também das da própria escola, como as dos museus, acantonamentos, bibliotecas etc, é proporcionar-lhes uma vivência enriquecedora, tanto do ponto de vista cognitivo como afetivo/social, e oportuna para problematizar internamente e com as famílias, as diferenças entre o público e o privado, o individual e o coletivo, o que é da esfera íntima e o que pode e deve ser compartilhado.


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OS MEUS, OS SEUS, OS NOSSOS

O ser humano é social, necessita da interação com o outro para adquirir linguagem, viver em grupo. Conviver foi a garantia de sua sobrevivência. Os conflitos surgem desde sempre como custo do viver junto.

ACHADOS E PERDIDOS

Como é comum em muitos locais públicos, encontramos alguns objetos de uso pessoal dos alunos, esquecidos na escola. Além de potes e peças de uniforme, também nos deparamos com aparelhos ortodônticos e celulares.

APRENDER FORA DA ESCOLA?

Pois é, as coisas estão no mundo, a escola inclusive, e é preciso aprender com elas, a partir delas e sobre elas, estabelecendo um diálogo permanente entre o que está dentro e o que está fora da instituição escolar.

AVANÇAR NA APRENDIZAGEM

Todos podem aprender. O processo de aprendizagem não é linear, nem conduzido e controlado pelo professor para que todos aprendam da mesma forma e ao mesmo tempo. Cada aluno tem seu ritmo e formas de aprender.