DIÁLOGOS COM A COMUNIDADE
CASA DE VIDRO

Entrevista com a arquiteta Adriana Zanetti
No ano em que se celebra os 25 anos da Projeto Vida, os alunos da Unidade de Educação Infantil ganham um novo espaço: a Casa de Vidro. A arquitetura sustentável e inteligente do projeto teve assinatura da arquiteta Adriana Zanetti, inspirada pelas conversas, ideias e conceitos pedagógicos discutidos com as fundadoras e diretoras da Projeto Vida, Mônica Padroni, Silvia Elayne e Lêda Cruz.
Há 25 anos Adriana desenvolve projetos de arquitetura para a Escola, segundo Mônica. “Muito do conceito da escola se traduz na estética que adotamos, por exemplo, essa ideia de usar o trabalho das crianças nos azulejos de vidro, os trabalhos estampados em adesivos na porta dos banheiros, e em muitos outros lugares. Isso tudo Adriana planejou em consonância com a proposta da escola. Ao mesmo tempo em que influencia a escola ela também é influenciada”, diz a diretora.
O belo flamboyant de 200 anos, que agora protege a Casa de Vidro sempre foi uma questão importante, como conta Mônica: “O desafio era integrar o flamboyant ao projeto arquitetônico para que ele pudesse dar o aconchego que sempre deu. Efetivamente ele abraçava aquele lugar, ele sombreava. A Adriana pensou todo o projeto integrando o flamboyant, fazendo ali uma pracinha ao pé da árvore.”
Para conhecer mais detalhes sobre esse curioso projeto de arquitetura sustentável, dias antes da sua inauguração, dentro da própria Casa, a Projeto Vida conversou com a sua criadora, a arquiteta Adriana Zanetti.

Como nasceu a ideia deste projeto?
A ideia nasceu a partir da necessidade de existir um espaço maior para refeitório e depois para atender às necessidades da escola integrada, aulas variadas e balé. Agora temos um refeitório e uma sala multiuso.

De que maneira o “ecossistema Projeto Vida” influenciou a sua criação?
O fato de ter paredes de vidro foi por conta do patrimônio histórico, para evitar o problema de o novo espaço concorrer com o Casarão. Nós quisemos aproximar o novo espaço da natureza e deixar o patrimônio como elemento em destaque. Ele foi desenvolvido todo com estrutura metálica, com mesas retráteis, porque você pode ter também um espaço para eventos.

Como integrou uma estrutura como a Casa de Vidro entre tantas árvores?
A ideia é realmente integrar porque quando você encontra uma escola com espaço verde você quer preservar esse espaço. Nós mantivemos todas as árvores. Temos esse flamboyant de quase 200 anos, idade próxima a do Casarão, é uma árvore adulta, antiga. Temos um ipê que está no caminho para a Casa, que mantivemos, e outra árvore nós transplantamos.

Quais cuidados precisaram ter?
Para respeitar o flamboyant, que tem raízes com 70 cm de altura, optamos por não baixar o terreno. A raiz dessa árvore é tão grande que a dimensão dela é a mesma que a extensão da copa. O raio da copa é o raio da raiz, é assim que a árvore se “equilibra”. Foi um “jogo de xadrez” para poder fazer essa fundação, sem mexer nas raízes.

Como isso foi possível?
A partir das raízes que estavam expostas, foram construídas as fundações do refeitório e, por isso, é que o projeto foi feito em L, para evitarmos machucar as raízes. Colocamos um piso drenante, feito de pedriscos e unidos por uma resina. Quando a água cai nesse chão ela perpassa direto o piso. É super-resistente e indicado para rampas, porque também é aderente. Usamos o piso drenante em todo o entorno do novo espaço.

O que há de mais curioso na Casa de Vidro?
Tem um pinheiro que surge do chão do novo espaço e cresce para o alto. O projeto se adaptou à árvore, mais uma vez. Para não entrar água no espaço pelo furo que fizemos na estrutura, para a árvore poder existir, prendemos uma placa na parte superior do pinheiro. Quando o pinheiro se movimenta com o vento a placa também se movimenta, aí a chuva não entra. Isso é chamado chapéu chinês.
Temos também o eco-telhado, que é constituído por uma estrutura de drenagem, coberto com uma manta, depois colocamos terra e grama por cima. A estrutura toda, ao mesmo tempo em que drena a água, também filtra. A água é captada por um sistema com capacidade para armazenar 600 litros. Outra vantagem em termos um teto assim é o conforto térmico e acústico. O eco-telhado diminui em quase 5 graus a temperatura interna.

Com tantas paredes de vidro os pássaros não podem se machucar?
Existe um problema mundial ligado aos acidentes com pássaros, em prédios e estruturas com vidros e espelhos. Eles não percebem que as estruturas são barreiras para o vôo e se chocam com elas. A Escola fez um trabalho com os alunos do 1º ano, lendo os textos e pedindo que as crianças desenhassem pássaros; depois esses desenhos foram transformados em adesivos e aplicados nos vidros. Para a porta que irá dividir os dois ambientes, os alunos do G4 estão colhendo folhas para serem aplicadas nessa porta. Esse também é um despertar para a natureza.

Estamos em uma escola, precisamos falar de ciência. Quais “ciências” foram utilizadas para criar o projeto?
(risos) Tem a física, a química, a arquitetura é pura química porque você mistura materiais; a história pela antiguidade do espaço, a linguagem porque existe a linguagem visual, você pode sentir o espaço “pesado” ou “leve”. A arquitetura também envolve um aspecto psicológico porque tem a ver com o bem-estar.

Como a arquitetura pode estimular a aprendizagem, ou aumentar o apetite, no caso do novo espaço?
(risos) A arquitetura pensa o ser humano no espaço, como ele vai se sentir, o que facilita sua organização. Em um espaço bem organizado e desenvolvido a pessoa se sente à vontade. As sócias da escola me pediram para ter em conta o conceito de Reggio Emilia (região italiana de escolas exemplares de Educação Infantil) quando fosse pensar nos trabalhos para a Escola. As crianças vão levar “essa arquitetura” para o resto da vida. Ouvi de um aluno que o que ele mais gostou do novo espaço foi do pinheiro dentro do refeitório.

Como é fazer projetos de arquitetura para uma escola tão especial quanto a Projeto Vida?
É dar atenção para o aluno e entender como ele está no espaço, como ele se sente, o seu aprendizado, isso é muito gratificante.

Grupo de Comunicação da Escola Projeto Vida


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OS MEUS, OS SEUS, OS NOSSOS

O ser humano é social, necessita da interação com o outro para adquirir linguagem, viver em grupo. Conviver foi a garantia de sua sobrevivência. Os conflitos surgem desde sempre como custo do viver junto.

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Como é comum em muitos locais públicos, encontramos alguns objetos de uso pessoal dos alunos, esquecidos na escola. Além de potes e peças de uniforme, também nos deparamos com aparelhos ortodônticos e celulares.

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Pois é, as coisas estão no mundo, a escola inclusive, e é preciso aprender com elas, a partir delas e sobre elas, estabelecendo um diálogo permanente entre o que está dentro e o que está fora da instituição escolar.

AVANÇAR NA APRENDIZAGEM

Todos podem aprender. O processo de aprendizagem não é linear, nem conduzido e controlado pelo professor para que todos aprendam da mesma forma e ao mesmo tempo. Cada aluno tem seu ritmo e formas de aprender.