Arquivos Mensais: outubro 2011

Protegido: Saídas pedagógicas

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Supernanny e S.O.S. Babá

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Supernanny e S.O.S. Babá: Um Olhar Construtivista sobre os Procedimento Empregados

BRINCAR: UMA VIAGEM, MUITOS PORTOS

BRINCAR: UMA VIAGEM, MUITOS PORTOS

Adriana Friedmann

 OFERECER UM BRINQUEDO, UM JOGO, UMA BRINCADEIRA A UMA CRIANÇA É UMA FORMA DE ESTARMOS PRESENTES NA VIDA DELA E DAR-LHE UMA PARTE DO NOSSO TEMPO, DA NOSSA PRESENÇA. BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS  SÃO TESTEMUNHOS DE AFEIÇÃO E AMOR, QUE DESDE A MAIS TENRA INFÂNCIA, DIFICILMENTE ALGUÉM ESQUECE.

         No decorrer do último século, tem se falado, pensado, teorizado e pesquisado muito sobre o brincar, o que não significa que o assunto tenha sido esgotado.

         O que é, pois esta viagem do brincar? Tantas definições e teorias através do tempo… Muitos portos, alguns bem conhecidos e explorados; outros, ainda por “conquistar”.

Podemos considerar que o brincar está composto por vários elementos:

-          Uma ESTRUTURA, com começo, meio e fim, que se mantém através das diferentes culturas e civilizações.

-          OS MEIOS – Como brincamos, de que forma?

-          OS FINS – Brinca-se porque, para que? Pelo simples prazer de brincar? Para realizar desejos? Para descarregar energias? Para compreender? Brinca-se de forma espontânea ou direcionada?

-          CONTEÚDO(S) – os enredos, as temáticas que variam em função dos grupos, faixas etárias e contextos.

-          REGRAS – ao mesmo tempo em que se perpetuam, podem variar de um grupo a outro. São a essência do brincar. Mais flexíveis nas brincadeiras, mais rígidas nos jogos estruturados.

-          ESPAÇO – que oportuniza ou atrapalha o desenvolvimento da brincadeira, sobre o qual falaremos longamente logo mais.

-          TEMPO – não é o tempo dos relógios; não é o tempo planejado; não é o tempo consciente. É simplesmente um tempo especial e precioso.

-          OBJETOS/BRINQUEDOS – antigamente, raros ou ligados à natureza. Hoje, cada vez mais presentes, estímulos interessantes, porém, muitas vezes deturpando o verdadeiro ato de brincar e incentivando mais o consumo. Objeto/Brinquedo, seja artesanal, motivando o resgate, uma volta às raízes, ou industrializado, valorizando-se cada vez mais sua qualidade. Os das crianças vão desde o próprio corpo, os elementos da natureza, os brinquedos “de gente grande”, os artesanais, os industrializados, a sucata, os eletrônicos até a imaginação… Os dos adultos: nossos pertences materiais (aos quais somos muitas vezes apegados demais!); nosso corpo; nossos sonhos; nossas imagens … Todos esses brinquedos e objetos, escondem um simbolismo, uma mensagem, nem sempre explícita.

-          PARCEIROS – Antigamente o adulto brincava de forma indiscriminada com a criança. Mais tarde, o brincar começa a caracterizar o cotidiano infantil e ainda os adultos das classes populares brincam bastante. Com o surgimento da escola, o brincar passa a fazer parte do pedagógico. O brincar do adulto mistura-se com o jogo de azar. Na atualidade, a preocupação é resgatar o direito e a oportunidade de todas as crianças brincarem. E o adulto começa a procurar “do quê brincar” nos seus momentos de lazer, como uma forma de aumentar sua auto-estima e desenvolver sua criatividade. Com quem nos permitimos brincar? Com nossos alunos, com nossos filhos, no trabalho, na família, com parceiros “virtuais”?

- UM COMPORTAMENTO LÚDICO – diz respeito às ações e reações daqueles que brincam.

Brincar sempre foi essencial ao ser humano. E como bem expressou Schiller “Um homem somente brinca quando ele é humano… E ele somente é humano quando brinca…”

Historicamente o homem sempre brincou, através dos diversos povos e culturas e no decorrer da história, sem distinção, nas ruas, praças, feiras, rios, praias, campos… Mas, ao longo do tempo,  as formas de brincar, os espaços e tempos de brincar, os objetos de brincar e os brincantes, foram se transformando.

Quando reflito a respeito de ESPAÇO penso, não somente no espaço externo, mas também no espaço interior de cada ser humano: o quanto estamos disponíveis internamente para deixar o brincar entrar nas nossas vidas. Penso tanto no espaço físico quanto no espaço no tempo, na vida. Quando há espaço interno, espírito lúdico interno, o espaço para o brincar acontecer, o espaço externo surge de forma natural.

Nossa cultura tem um espírito lúdico por natureza e tem acontecido, sobretudo na última década, um movimento de resgate do espaço de brincar, tanto interno quanto externo.

Estudos e pesquisas na área do lúdico têm crescido mostrando cada vez mais a importância fundamental que a preservação do espaço tem no desenvolvimento, sobretudo da criança e do jovem.

A existência de espaços de brincar é importante para:

  • a socialização e troca entre os brincantes;
  • o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e moral das crianças e jovens;
  • o estímulo da sua criatividade;
  • o despertar e o desenvolvimento dos seus potenciais e habilidades;
  • tornar os indivíduos mais humanos;
  • resgatar a essência  e os valores mais significativos de cada um.

Você reparou em quem está ao seu lado, na frente ou atrás? Olhe para esta pessoa. Simplesmente olhe. Estabeleça um diálogo: com o olhar, com um gesto, com uma delicadeza. E permita-se brincar.

O ato de brincar é um diálogo que o ser humano estabelece consigo próprio, com o(s) outro(s) ou com um ou mais objetos. E é através desse diálogo que o homem se conhece, se percebe e conhece o outro. Seja de forma competitiva, quanto cooperativa, é a partir das trocas com o mundo que tomamos consciência da nossa humanidade.

O brincar é também considerado como a expressão não verbal de emoções, sentimentos, afetos. O brincar é uma descoberta, uma dúvida, um exercício de paciência. O brincar é um movimento de despertar, uma entrega e, ao mesmo tempo, uma tensão. O brincar é um “espelho de mim”, um confronto com meu ser e com os outros.

Todos aqueles que criam, inventam e reinventam objetos estão, na verdade, brincando: quem faz moda, quem inventa objetos utilitários, quem é designer de móveis, brinquedos, estampas, até de casas. Então, quem é que não brinca?

Todos brincam e não precisa ser artista, ou melhor, todos somos artistas: brincamos com os sons, com o nosso corpo, com as cores ao combinarmos as roupas que vestimos a cada dia; brincamos com o preparo dos alimentos; com o espaço e os objetos das nossas casas; com os pensamentos; fazendo piadas; e a lista fica interminável.

Podemos considerar o brincar como uma linguagem, através da qual as crianças se comunicam, entre si e com os adultos. O brincar é um sistema de signos que representa, de forma inconsciente, a vida real, sob o olhar daquele que brinca (o jogo simbólico, por exemplo); o brinquedo ou os objetos utilizados no jogo, representam uma ponte, um meio de comunicação. A linguagem do brincar caracteriza-se pela sua universalidade: ela é tão antiga quanto a existência do ser humano, atravessando o tempo e as fronteiras. Uma linguagem que tem se perpetuado na sua forma, apesar dos seus conteúdos se transformarem.

O brincar pode ser lido e interpretado de forma científica, acadêmica, analítica, clínica, universal, histórica, regional, cultural, folclórica. E também sob um olhar místico, ritualístico, simbólico, misterioso.     

ESPAÇO DE BRINCAR

         Espaço sagrado

                   Espaço adequado

                         Espaço alegre

                                      Espaço tumultuado

                                          Espaço flexível

                                                                       Espaço grande ou pequeno

                                                              Espaço criativo

                                                                       Espaço caloroso

                                                                                   Espaço moderno e

                                                                                 Espaço antigo

                                                                                                       Espaço de lembranças

                                                                                             Espaço de saudades

                                                                                  Espaço de presenças

                                                                           Espaço de descobertas

                                                                    Espaço de aprendizagens

                                             Espaço sagrado

                                       Espaço de brincar

                    Meu espaço

         Teu espaço

  Nosso espaço

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