Materiais não estruturados potencializam o desenvolvimento no berçário

Por Daiana Lourenço e Dani Mazzarella, educadoras do G1 na Educação Infantil da Escola Projeto Vida

Quem convive com bebês e crianças pequenas sabe o fascínio que o armário da cozinha com potes e tampas plásticas exerce sobre eles ou como as embalagens dos presentes podem entretê-los por mais tempo do que o próprio brinquedo. Isso porque estimulam a criatividade e dão liberdade para usarem o material como quiserem naquele momento, sem jeito certo ou errado de brincar.

Esses objetos são chamados por alguns autores de materiais não estruturados e, quando bem utilizados pelos profissionais, criam oportunidades de pesquisas e descobertas enquanto a criança cria suas próprias brincadeiras. 

As crianças têm a necessidade de explorar e a curiosidade em saber o que cabe, o que encaixa, o que empilha, como encher e esvaziar, juntar e espalhar, construir, esticar. Assim, aprendem muito ao experimentar essas ações com materiais de fácil acesso e simples aquisição, como latas de alumínio, tampas, cones, rolhas, palitos, carretéis, pequenos tubos de pvc, tecidos, elementos naturais, entre outros.

Na Educação Infantil, especialmente com as crianças bem pequenas, o educador deve preparar ambientes ao mesmo tempo facilitadores e desafiadores. Os materiais não estruturados são ótimas ferramentas para enriquecer os espaços com segurança, de forma que o professor não precise intervir, tirando o foco da criança de suas investigações. Esse tipo de material oferece diferentes usos para um mesmo item, com possibilidades infinitas de pesquisa dos sons, movimentos, gestos, texturas e cores. Para garantir a segurança das crianças, os materiais devem passar periodicamente por uma vistoria atenta do adulto a fim de identificar a boa condição para o uso e manter uma rotina de higienização. 

É possível trabalhar com vários tipos de materiais e, mesmo com a diversidade de possibilidades, as crianças devem reencontrar várias vezes os mesmos conjuntos a fim de aprofundarem no conhecimento das suas características e nas investigações e possibilidades de uso desses recursos. O espaço deve sempre ser convidativo, considerando a estética e como os materiais podem ser oferecidos separados por cor, forma, possibilidade de encaixar, de organizar, de colecionar, por exemplo. Quanto mais atraente o ambiente, mais desperta a atenção e o interesse. 

Através das brincadeiras e criações, as crianças bem pequenas passam a representar momentos vividos no cotidiano. Uma caixa pode virar cama para a “neném” que é cuidada; tecidos de diferentes tamanhos podem se transformar em roupas de boneca, cobertores, capa de um super herói, cabanas ou simplesmente um lugar para se esconder.

Quando a criança brinca, protagoniza o espaço, interage com os objetos e vivencia momentos de prazer, tem as aprendizagens como algo significativo. Materiais não estruturados são materiais potentes para crianças potentes. O professor pode observar as investigações que a criança faz e a função que ela atribui para cada material e, com base nisso, vai selecionando novos materiais e novas provocações para que a criança experimente.

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